O mapa do set: o retrato real do mercado da beleza no Brasil
Baixamos os 72 milhões de registros do CNPJ na Receita Federal, filtramos os 12 ramos da beleza, saúde e bem-estar e cruzamos com o Censo do IBGE. O resultado: 2,44 milhões de negócios em atividade, 1,87 milhão que já fecharam, e um mapa que mostra onde a cena está cheia, onde ela é mais dura e onde ainda tem espaço para você.
Equipe BeautySet · 22 de julho de 2026 · 10 min de leitura
Existe um filme passando na sua rua agora. Ele não tem tapete vermelho nem letreiro luminoso, mas tem elenco: é o salão da esquina, o studio de cílios do segundo andar, a sala de estética que atende com hora marcada, a revendedora de cosméticos que todo mundo conhece pelo nome. Nós quisemos assistir a esse filme por inteiro. Então fomos até a fonte mais dura e mais honesta que existe: o cadastro de CNPJ da Receita Federal. Baixamos a base completa (são 72 milhões de registros de estabelecimentos, na versão de julho de 2026), separamos os 12 ramos que formam o universo da beleza, da saúde e do bem-estar, e cruzamos tudo com a população do Censo 2022 do IBGE. O resultado é o retrato mais fiel que já vimos do nosso mercado. E ele conta uma história digna de cinema: gigante, emocionante e, em alguns capítulos, dura de assistir.
Este artigo é o roteiro dessa história. Os números são todos oficiais e você pode explorar cada um deles, por estado e por cidade, no mapa interativo do mercado que acabamos de publicar no site.
O tamanho do palco
Comecemos pela cena de abertura: o Brasil tem hoje 2.442.895 negócios com CNPJ ativo nos 12 ramos da beleza, da saúde e do bem-estar. Dois milhões e meio de portas abertas, uma a cada 83 habitantes. Para dar escala: segundo o Sebrae, em 2025 o país abriu 27 negócios de beleza por hora. Enquanto você lê este parágrafo, mais um acabou de nascer.
Mas o cadastro da Receita guarda também o outro lado do letreiro: 1.866.275 negócios do setor já fecharam as portas. Isso dá uma mortalidade de 43%. Em bom português: de cada 100 negócios de beleza que já abriram no país, 43 não existem mais. Guarde esse número, porque o resto do artigo é sobre ele: quem fecha, onde fecha e, principalmente, o que separa quem fica de quem sai de cena.
Um aviso importante antes de seguir: esses números contam empresas registradas, não pessoas. Quem trabalha sem CNPJ não aparece aqui. Ou seja, o mercado real é ainda maior do que este retrato.
Cada ramo, um enredo
Nem todo mundo nesse filme faz o mesmo papel. Veja o elenco completo, do maior para o menor:
O protagonista é disparado o ramo de cabeleireiros, manicure e pedicure: 930.183 negócios ativos, 38% de todo o setor. É a cara do empreendedorismo brasileiro: quase todos micro e pequenos, a maioria tocada por mulheres, espalhados por todas as cidades do país. Em seguida vêm a estética (373.040 ativos) e, olha que interessante, o treinamento profissional (327.307 ativos): um mercado que não para de estudar, cheio de cursos, formações e especializações.
Os bastidores que ninguém filma
Agora a parte do roteiro que quase ninguém mostra. A mortalidade média do setor é de 43%, mas ela não é igual para todo mundo. Em três ramos, o filme já teve mais créditos finais do que estreias: há mais CNPJ fechados do que abertos.
O caso do comércio de cosméticos impressiona: para cada 100 lojas e revendas que já abriram, 57 fecharam. É um ramo de porta fácil: começar é simples, quase não pede estrutura, e por isso muita gente entra sem plano, sem preço calculado e sem reserva. A porta que abre fácil também fecha fácil.
Agora compare com o outro extremo. A podologia perde só 17 de cada 100. Dermatologia e medicina ambulatorial, 23. Odontologia, 24. Fisioterapia, 27. O que esses ramos têm em comum? Formação longa, conselho profissional, agenda organizada, ficha de cliente, preço que cobre o custo. Não é coincidência: onde há mais preparo e mais gestão, morre-se menos. Essa é, talvez, a frase mais importante deste artigo inteiro.
O Brasil de cada beauty
O mercado também muda de cara conforme o CEP. Para comparar estados de tamanhos diferentes, usamos uma régua justa: quantos negócios ativos existem para cada 100 mil moradores.
O Distrito Federal lidera com folga: 1.739 negócios por 100 mil moradores, 45% acima da média nacional (1.203). Logo atrás vêm Santa Catarina e São Paulo. São mercados aquecidos, com renda e demanda, mas também são palcos cheios: mais concorrência por cliente.
Na outra ponta, o Maranhão tem 415 negócios por 100 mil moradores, quatro vezes menos que o DF. O Norte e parte do Nordeste têm o palco mais vazio do país. Isso não quer dizer que seja fácil (a renda média também é menor), mas quer dizer uma coisa concreta: há espaço. Quem se profissionaliza nessas praças concorre com menos gente.
Onde a cena é mais dura
E onde é mais difícil sobreviver? A mortalidade também tem geografia:
Repare no paradoxo do Distrito Federal: é o estado com mais negócios por habitante e também o que mais fecha (50%). Palco cheio demais: todo mundo quer entrar em cena, e metade acaba saindo. Já Piauí, Santa Catarina e Paraná são as praças mais amenas do país, com mortalidade entre 38% e 41%, bem abaixo da média.
A linha do tempo: um setor que não para de crescer
A linha do tempo conta o final feliz possível desta história. O setor cresce sem parar há duas décadas, e acelerou forte depois da pandemia: só em 2025 nasceram 379.055 negócios que seguem ativos, o maior número da série, contra 240.830 baixas no mesmo ano. O saldo é positivo e crescente. O mercado não está encolhendo. Pelo contrário: nunca coube tanta gente no set.
(Aquele pico de baixas em 2018 tem explicação técnica: a Receita fez uma limpeza de cadastro e baixou de uma vez uma leva enorme de MEIs que já estavam parados. Não foi uma crise do setor, foi o cartório colocando os papéis em dia.)
O que esses números pedem de você
Vamos juntar as cenas. O mercado é gigante (2,44 milhões de negócios ativos, num setor de R$ 148 bilhões, o terceiro maior do mundo). Ele cresce todos os anos. E, ainda assim, 43 de cada 100 negócios que entram nele acabam fechando.
Se a mortalidade fosse destino, ela seria igual para todo mundo. Não é. Ela cai para 17% na podologia e sobe para 61% nas práticas integrativas. Ela é mais amena no Piauí e mais dura no DF. O que muda de um caso para o outro não é o talento (talento existe de sobra em todos os ramos e em todos os estados). O que muda é preparo, estrutura e gestão: saber o próprio custo, cobrar o preço certo, organizar a agenda, cuidar da cliente para ela voltar, ter um plano.
É exatamente para isso que a BeautySet existe. Nosso trabalho é ser o seu set: o bastidor que prepara a estrela antes de a câmera ligar. Diagnóstico do negócio, plano, agenda, preço, fidelização, tudo no mesmo lugar, com um plano gratuito para começar.
Explore o mapa interativo do mercado: escolha o seu ramo, veja o seu estado e a sua cidade, e descubra se o seu palco está cheio ou vazio. E se você quiser entrar em cena com o negócio em ordem, crie sua conta gratuita na BeautySet. O mercado é enorme, o filme já está rodando, e tem um papel com o seu nome nele.
Você merece brilhar. E você pode.
Ficha técnica (para quem gosta de conferir)
Fontes: dados abertos do CNPJ da Receita Federal, base completa de estabelecimentos, referência julho/2026 (72,3 milhões de registros processados); população do Censo 2022 do IBGE; tamanho do setor pela ABIHPEC (Panorama 2025); ritmo de aberturas pela Agência Sebrae de Notícias. Recorte: 12 CNAEs de beleza, saúde e bem-estar (de cabeleireiros a podologia, de estética a comércio de cosméticos). Mortalidade = negócios baixados ÷ (ativos + baixados). "Aberturas por ano" conta os negócios ativos hoje pelo ano em que começaram. A leitura é de negócios com CNPJ, não de profissionais: quem atua sem registro não aparece na conta.
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